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Inaugurando este espaço, destinado a pacientes, colegas de Medicina e curiosos sobre Medicina Esportiva em geral.

Trazendo o tema da cefaleia induzida por exercícios:

Na prática clínica, é comum o Médico do Esporte se deparar com quadros clínicos desta espécie, representando um desafio ainda maior - muito em razão da falta de oportunidade em flagrar o momento em que a dor do paciente ocorre. 

Em linhas gerais, trago um resumo do que deve ser avaliado:

Cefaleia induzida por exercício/esforço:

Atentar para:
- Desidratação
- Hipomagnesemia
- Hipoglicemia
São as razões mais importantes para a cefaleia induzida por exercício - especialmente exercícios aeróbicos, como corrida e natação.

Não se pode esquecer também de casos de:
- Dor cervicogênica e cefaleia tensional
- Valsava frequente e má qualidade de respiração
- Uso de cafeína de maneira indevida, excesso de uso de estimulantes
- Sono não reparador

Dentre as mesmas razões, não pode se desconsiderar o uso de medicações ou suplementos pelo paciente, assim como tensão de prova ou competição, uso abusivo de estimulantes ou até mesmo esforço maior do que o paciente/atleta está habituado a realizar.

No entanto, a principal causa para a cefaleia é a vasodilatação central provocada pela elevação do óxido nítrico; com consequente sensibilização do sistema nervoso central.

É necessário atentar para formulações de suplementos proteicos enriquecidas com óxido nítrico, que devem ser proscritas até elucidação do caso clínico do paciente.

Os tratamentos para enxaqueca comum também valem para as cefaleias induzidas pelo esforço, no entanto a instituição de um aquecimento lento e gradual para o início da atividade física demonstra bons resultados.

Notas importantes:
A - Com relação a hidratação:

1) Hidratar-se antes do exercício. Consumir de 400 a 800ml de líquido dentro de três horas antes do exercício.
2) Durante o exercício, beber o suficiente para manter a perda de líquidos menor que 2% da massa corporal. Consuma 150-300ml de líquidos a cada 15-20min, se tolerado.
3) Estratégias como a monitorização da cor da urina e o controle do peso podem auxiliar na individualização. Mantenha a cor da urina clara e consuma uma média equivalente a 150% da massa corporal perdida no exercício.

B - Ficar atento a alguma interação medicamentosa, causando hipomagnesemia ou hipoglicemia (investigar se for o caso).
C - Ficar atento aos hábitos ou uso de suplementos/cafeínas ou estimulantes descritos acima.
D - E obviamente, checagem de hematócrito e possíveis quadros de anemia; ou alguma alteração cardiológica/pressão arterial que viria a ser flagrada em ECG + Ergométrico.


É isso! Abraço!

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